segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O TROPA 2, CABRAL E AS ELEIÇÕES

Por mais que diluídas no tempo e misturados alguns personagens, nao deixa de ficar claro para quem assistiu ao filme TROPA DE ELITE 2, que ele é uma descrição quase completa das relações perigosas entre o governo Cabral e as milicias.
O filme do Padilha é uma denuncia da tragica situaçao que vive o Estado do Rio de Janeiro, enquanto instituição, e a penetração orquestrada e consentida do crime nas entranhas, não apenas da secretaria de segurança, como tambem do poder politico central representado pelo próprio governador Cabral. O deputado Marcelo Freixo, protagonizado pelo Deputado Diogo, faz uma vigorosa denuncia das milicias,e seu envolvimento com o poder legislativo e com o poder executivo. Tem também o silencio comprado da imprensa, coisa muito comum no atual governo do estado, diante da morte da jornalista que descobriu a ligação do governador com a milicia na comunidade do Tanque: - "Temos boas relações com o governo" disse o editor do jornal cobrado pelo Deputado Diogo para estampar a noticia do assassinato em seu próprio jornal. Qualquer semelhança com a imprensa local do Rio não é simples coincidencia.
Jerominho e Natalino, dois notórios lideres milicianos, sao lembrados em uma festa numa comunidade dominada com a presença do proprio governador em campanha para reeleição. Lembrem-se quem tanto eu quanto o candidato Jefferson Moura denunciamos muitas vezes nos debates essas relaçoes suspeitas do governador com as milicias, numa delas, o governador chegou a ser chamado de mentiroso pelo candidato do PSOL. Noutra lembrei a festa onde o governador cantou com os lideres milicianos no palanque oficial.
Não resta dúvida de que a votação do Cabral nos lugares onde a milicia tomou conta refletiu as relações aqui denunciadas, exemplo Zona Oeste, pois como disse o Coronel Nascimento ao descobrir-se em crise, o BOPE expulsa e mata bandidos para facilitar a entrada dos milicianos. Nada mais parecido com a realidade do atual governo. A denuncia do Coronel Nascimento na CPI ecoou muito forte: - Eu acuso o Governador de ser cumplice desses assassinatos!
Ao final, fica a pergunta: por que o filme nao foi lançado antes das eleições do dia 3 de outubro? Será que o objeto da denuncia - o sistema - agiu contra sua estreia antes do primeiro turno? Com a palavra do diretor denunciador José Padilha.
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