quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


12/01/2011 08:12

Cabral e o tráfico de drogas no Complexo do Alemão
Manchete do Estadão, edição desta quarta (12/01); foto da visita ao Alemão, em dezembro




Se vocês pensarem bem não há nenhuma surpresa no fato de que o tráfico continua funcionando no Complexo do Alemão. Acompanhem o meu raciocínio.

Cabral, tirando algumas bravatas do tipo “a violência é página virada”, nunca se posicionou contra o tráfico. Sempre ficou claro, que o objetivo das UPPs não era acabar com o tráfico, e sim, com a circulação de bandidos exibindo fuzis.

O governador vive batendo na tecla de que é preciso liberar as drogas. Por ele, compra e usa quem quer. Depois, aqueles que se viciarem, se não tiverem dinheiro para uma clínica que se virem, não é Cabral?

Além do mais, para combater pra valer o tráfico, Cabral sabe que existem questões essenciais. Primeiro é preciso prender os bandidos, não adianta transferi-los de lugar. Mas por que Cabral não pensa em prendê-los?

Um dos motivos é óbvio, porque não tem onde colocá-los. No meu governo e no de Rosinha foram construídos 16 presídios e casas de custódia. Nos quatro anos de Cabral nem uma unidade prisional foi levantada, mesmo com todo o apoio federal. Quem conhece o sistema penitenciário do Rio sabe muito bem que se tivessem sido presos os tais 400 bandidos do Complexo do Alemão haveria um colapso, viraria um barril de pólvora, porque está tudo superlotado.

Além disso, existe outro fator. Cabral extinguiu todos os programas sociais que abrangiam os jovens das comunidades. Hoje, de acordo com pesquisa divulgada pela secretaria estadual de Assistência Social, no Informe do Dia, 40% dos jovens das comunidades do Rio nem estudam, nem trabalham. Cabral sabe que sem oportunidades muitos jovens que hoje estão nas fileiras do tráfico, vão migrar para outras modalidades de crimes no asfalto. Prefere fazer vista grossa ao tráfico, porque considera um mal menor, desde que não carregue armas pesadas, e acima de tudo, porque está no morro, mais distante dos olhares da maioria da população.

A lógica de Cabral é deixar o tráfico continuar, desde que não fique se exibindo e não venha para o asfalto espalhar o terror. É mais ou menos como aquela história do marido que sabe que a mulher o trai, mas aceita a situação, só impõe uma condição: que ela seja discreta, para mais ninguém saber.


Em tempo: Como era de se esperar os jornais do Rio escondem dos leitores a volta do tráfico no Alemão. É para manter o clima de “conto de fadas”. E é claro, nem Cabral, nem Beltrame, nem ninguém da cúpula da segurança pública do Rio quis comentar a notícia da volta do tráfico ao Alemão, nem através de nota de assessoria. Quem cala consente.

Fonte: Blog do Garotinho

Nenhum comentário:

Postar um comentário